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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Episódio


Não é você. Nem eu.
E nem chegou o começo. Não tinha eco para merecer fim.
Foi um ponto.

Bateu a porta atrás de todas as partidas.
Ficando a imensidão das vozes que acreditava dizerem algo e eu.
Sussurro do que queria ouvir.

Mas não era eu. Não era o seu eu.

Não tinha ator, tinha multiplicador. Era estranho a isso.
Precisava enfiar os pés na areia e ser puxada pelo mar para ter estado lá.
Não bastava pra isso.

Amorcêntrico, mesmo que a tendência fosse o amorlivre.
Desmedidamente aplicava denominador comum dois.

O corpo era gaiola do eu. A mente tinha a chave do nós.
No que estaria pensando agora? Liberdade.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Intimidade forjada

Invocava o amor com a força de seis ciganas e quatro leitoras de tarô.
Forçava o desejo e cravava o corpo na intenção do outro como se jogasse búzios.
Eram inúmeras as encruzilhadas e nem me deixe começar a falar da projeção astral - afinal, hoje, projetar é amar em modo narcísico.

Insuportavelmente via o desejo distorcer distâncias e alongar (por demais) situações que nasceram e morreram pontuais. Era um baile dos mortos pela vivência de uma ilusão. Um carnaval com mais cinzas do que dias de duração.

Forjar intimidade - via isso se repetir por todo lugar. Estávamos todos viciados em ver potencial no outro de algo que nem nós poderíamos oferecer.
E na verdade o desejo trocava de pele. De tempos em tempos mudava a carne e preenchia outros olhares.

Não queria forçar nada, mas se pegava com o fórceps na mão. Sua intenção era um crime irremediável.

E ainda torcia para que viesse à luz o amor abrangente, livre... em sua dilatação naturalíssima do impossível.