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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Passaporte para dentro da alma

A passagem foi tão clara na ida, sem empecilhos, obstáculos ou dobradiças.
A volta estava entre grades, acorrentada aos medos e anseios e dores do adeus.

São pensamentos ou memórias que ficam impregnados aos nossos olhos?
Passaportes para dentro da alma de tão fácil acesso, mas difícil desvendamento.
E o encantamento que possuem é quase místico.
Imperceptíveis, poderosos, justos.

Às vezes são eles que dizem as palavras.
Às vezes são portadores do amor do mundo.
A esperança?
A esperança nunca os abandona.

Aí imaginam ou trazem a imagem:
Dois, doeu.
Já eram dois, o errado era eu
Se percebem; se queixam e mudam o foco.

A alma, tão nua, percebe que não tem jeito:
É lá que a defesa falha, que o corpo toma conta -
O olhar é realmente seu pior defeito.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Troca de Palavras

E não é que as coisas são bem simples mesmo?

Conversas e desabafos sempre atraem a verdade.
Por mais que seja uma mentira bem contada (daquelas que de tão bem amarradas ficam intrínsecas às pessoas), uma hora ou outra alguém vai ter visto alguma coisa que te guiará para a verdade.

Trocava palavras com uma de minhas novas conterrâneas e descobri confirmações tão injustas quanto as dúvidas que passavam no meu coração. Seriam mais justas se fossem só desconfiança e não verdade.

Temos que ouvir mais nossas intuições e relevar menos os erros dos outros. Não acho que devemos julgar desesperadamente tentando aliviar nossa mágoa, mas não é aceitável ferir desmesuradamente outra pessoa. Vivemos a partir de nossas relações e construímos em cada uma delas o nosso caráter e personalidade.

Sabendo que um ser esta está irremediavelmente em suas mãos, é seu dever colocá-lo no chão ou guardá-lo na palma bem juntinho da alma. Mas o problema é que estamos todos tão perdidos que nem sabemos mais aonde está nossa alma.

Algumas pessoas mentem e se atropelam tanto que são sequestradas de si mesmas pelos desvarios que causam.

Pensei em meter o pé na porta dessa "deslavagem" toda, mas é melhor nem encostar mais na maçaneta, vai que soltamos um 'pequeno homem leão, que nunca será o que está no seu coração'. Se ele está preso lá, sabendo como sair, nem quero mais imaginar as razões dessa situação.

Todas as janelas já foram abertas.
A porta tem que ser aberta pelo lado de dentro.
Mas a essa altura de sentimentos, ao ser içada para o chão, acredito que seja melhor deixar as coisas seguirem seu caminho e serem como são.


A árvore quando está sendo cortada, observa com tristeza que o cabo do machado é de madeira.
- Provérbio árabe

domingo, 23 de maio de 2010

Sim

Não.

Tão sonora palavra, anasalada.
Pequena aniquiladora de ideias,
é o mal do bem ou o bem do mal, fatal.
O fim da vontade, do plano, da dúvida.

Não... tão cruel, tão simples e bruto.
Só precisamos abrir a boca uma vez em sua sílaba uníssona para colocar ponto.

Mas do não vem o sim.
Aquele que ilumina ou confirma o terrível,
mas ainda acredito que o sim vem do sol.
Só precisamos abrir a boca uma vez em sua sílaba uníssona para começar um ponto.

Essa diferença que pode ser a mesma coisa...
O eu e o sim, o não e você.
O sim e o não
entre eu e você.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A LONG HISTORY/Palavras

O que é dito nunca a agradou muito. Sabia que as palavras são a melhor arma do ser humano e sua pior derrota, perseguindo cada momento de silêncio. Acreditava, sim, nas palavras do coração, que dominam forças e olhares, gestos e detalhes tão fora de nosso controle quanto apaixonar-se.
Sua memória era cheia de brancos e frases de grande significado. Uma das que mais a marcava era a palavra pai, não entendia o que era pois havia sido dita poucas vezes, mas a imagem que a acompanhava era de uma garotinha correndo para os braços de um homem, gritando-a com tal alegria, que esta recordação a emocionava anos depois de ficar sem repeti-la. Pra ela o passado era um conjunto dessas palavras do coração, reunidas em imagem e alguns sons.
Amor era uma das que mais fazia sentido e ao mesmo tempo sem significado exato, como a música. Cantava seu coração, sua alma e suas memórias sem nada ser dito, só murmurado ou cantarolado.
Percebia que os arranhões não importavam e uma estranha paz lhe preenchia. Seria uma oração ao tempo, pois compreendeu que ele decide o que é realmente importante.
Os arranhões saem ao serem polidos e cicatrizam mesmo sem serem cuidados, mas a matéria que o preenche, fica. Derrotas, fazem parte da reconstrução de você mesmo. Esquecer o que passou e tornar-se quem tanto desejava ser, seriam seu plano, falível e certo, dependendo do acaso.
Mesmo que as memórias viessem caçá-la, ela as espantaria com a verdade, para poder dizer adeus.
Sempre repetiu que é melhor não perdoar e esquecer do que perdoar e ficar lembrando a cada novo erro. Por mais que tentasse guardar rancor, não conseguia pois via sempre o melhor lado das coisas e das pessoas. Seu maior defeito e virtude.
Somos contradições espontaneamente repetidas, versões da mesma verdade. Comparar sua dor a de outros é como achar só semelhanças em alguém. Para quem quebrou o braço, ralar o joelho é ínfimo, mas para quem não havia sentido dor, é quase insuportável. Pense mais em você antes de julgar os outros, pois você pode estar sendo julgado ao mesmo instante.
O amor estará ao seu lado mesmo que você não acredite, assim como o ar, a bondade e Deus.