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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Monólogo do cabelo

"O que aconteceu com você? Tá diferente... Mudou o cabelo?"

A resposta que pensei em dar, formulada em meio segundo, resultado de muitas insônias foi:
"Na verdade, sim. Mudei muitas coisas - e o cabelo várias vezes -, mas essa transformação começou há algum tempo. Eu mesma demorei pra perceber. Fui dos tons mais pastéis aos mais intensos nas roupas, nos cabelos e no humor. Agora, diariamente, tento balancear os contrastes e o brilho das nuances internas. Comprei até um shampoo diferente e uns livros clássicos pra apoiar tudo isso. Entretanto, a diferença não está só no cabelo, mas na maneira de olhar para ele e para tantas outras coisas todos os dias como uma oportunidade de moldar o futuro e de construir quem eu realmente quero ser. E não é com a cor ou o volume dos fios que me ocupo, mas com a forma de trançar os dias. Antes acho que só estava, agora procuro ser para, então, poder estar de corpo, alma e cabelo."

Mas aí, respondi só um já esperado:
"Mudei sim, gostou?"

E enquanto ouvia a resposta, percebia - ainda buscava no outro o gosto de mim, a opinião do outro importava mais do que a do espelho, ou do que eu enxergava nele. É... A mudança havia começado, mas ainda estava bem longe do fim.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Zula.

Talvez a gente só ame mesmo, quando deixamos o melhor do outro mudar tudo em nós, por querermos e sabermos que mudar, dessa forma, é natural.

Mudar o cabelo,
a casa,
o jeito
e o vocabulário.

Nada melhor do que deixar as palavras de outros se tornarem nossas, sem denegação.
Um jacaré vira um cacaré
e as cores mudam, chegando o memelho e o zul.

Aí, na altura máxima, deixamos mudar nosso nome.
Zula.

A gente só vai saber (se é que é aprendível, tangível, racionalizável) amar, se deixar o outro reavivar, em nós, memórias que ainda vão ser construídas.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Preguiça de amar.

Você não vai perceber que me ama, não vai se desfazer de nada e nem mudar por mim.
Não vai mudar seu status nem ver que está tudo mais do que bem ao meu lado.

Exatamente porque se você não se deu conta quase que de imediato, não irá se dar depois.
Acontece também que eu não quero mais provar nada e a paciência diminui na mesma velocidade que os amores vão mudando.

Acaba que eu não vou me esforçar para você ver, exatamente porque você já deveria ter visto.

domingo, 10 de maio de 2009

Constante reforma

Acordou no meio da noite cercada de vozes.
Não sabia se era o infinito ao seu redor que lhe chamava a atenção
para os detalhes gritantes do que ignorava, ou se mais uma vez sua consciência pedia mudanças.

Que medíocre afirmação lhe circundava de que o que era, essencialmente, não bastava.
Que todas as paredes que não havia construído precisavam existir.
Que tudo o que julgou certo, não era errado, mas prejudicial.
Formatar sua personalidade era preciso.

Mas aí não teria sobre o que falar, sobre o que escrever, o que cantar.
Será que causava a si mesma tamanha inquietude?
Preferia atribuir ao seu redor a inconstância do que sentia. Se é que sentia.

O semblante de mais um amor apagava-se nas verdades do mundo.
Talvez encontrar o que a fazia bem, mesmo que utopicamente,
seria o devir necessário da sua alma.

"O mesmo homem não pode atravessar o mesmo rio, porque o homem de ontem não é o mesmo homem, nem o rio de ontem é o mesmo do hoje". - Heráclito