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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Borboleta maquiada

Passei lápis nos olhos como se escrevesse uma história.
Entre o supercílio e o globo, um papel de pão com palavras perdidas.
Estranho desabafo estético, borrado e marcado.

Parece estranho pensar no antes e quem dirá no depois, se nem o agora digeri completamente.
Coração não quebra, mas bate mais devagar.
Quase para, para e volta.

E é no desespero das almas em conflto que me desencontro e mudo de lado.
Nos vales de almas desfeitas, a coragem pode ser amiga da inverdade.
Lucidez em plena sombra, clareza em meio ao breu.

Tentar planejar o intagível desfocamento de si é fracassar em seu ego.
Felicidade incompleta, tristeza inconstante.
Vai e vem de puro fluido na corrente de sangue do prazer.

Colori os lábios para emudecer meu canto,
que coloquei em um canto, distante de mim.
Perto demais da realidade, longe do sonho, longe da essência.

Colori os lábios como se costurasse as palavras entre a garganta e o estômago.
São borboletas aprisionadas e as asas são palavras entre o não e o mim.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

palavras e raízes

Não tenho conseguido expressar as ideias mais ligadas a mim.
No entendimento da estrada e na tradução infiel do que se passa, tenho ficado à deriva.

Li, em algum lugar, que temos a natureza de lutar contra a transformação dos pés em raízes. E acho que agora comecei a desvendar o porquê algumas pessoas não ficam. Vai ver elas seguem essa natureza que eu me recusava a perceber...

Que não pertencemos eu já sabia, mas que não ficamos... isso é novo.
Então tenho que aparar minhas raízes, principalmente as mais profundas, bem no fundinho da terra, aquelas que trazem a tal da "seiva bruta".

Mas eu acho que a raiz de uma árvore, não tira sua liberdade.
Podemos sentir o vento e imaginar voos altos, mesmo fincados ao chão.

É o amor que nos flutua.

E já que não pertencemos, não nos prendemos, não estagnamos, é só uma escolha entre um e outros.
Uma escolha entre sonhar de olhos abertos e de olhos fechados.
Uma escolha que pode ser desescolhida.

Mesmo assim, vou tentar aparar as ideias e me desvencilhar das raízes.

E não é que as palavras são raízes?