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domingo, 3 de maio de 2015

Tempestade

Olhava atentamente para a tempestade que se formava no copo d'água.
Com a cabeça apoiada sobre uma mesa de madeira escura, via as gotas se transformarem em vozes de cada problema, medo e questão.

Caminhava para encontrar cada parte sua em partes outras que o caminho pudesse entregar. Se sentia pronta para aceitar tudo aquilo.
Quem sabe um dia conseguiria deixar aquela parte, que segurava, costurava e colava para não cair, pra outro caminho carregar...

Temos que estar sempre prontos para receber, para agradecer e para despedir. Mas a obrigatoriedade torna o ato falho.
Há mais encontro na despedida que o adeus propriamente dito.

E ainda havia a necessidade de entender. Exercício que a cada dia, quanto mais entendia, menos parecia compreender. Tentava entender por quê precisava entender tantas coisas.

Gole por gole foi vendo a tempestade passar e engolindo o que estava preso na garganta.
E assim foi... até que a tempestade passasse e outra chegasse. Chegou? Garçom, traz mais uma.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

(Des)encontrando

Há tantas escolhas que nos separam de pessoas, de caminhos, de ideais...
Tantos nós que se desfazem em "eus" e "vocês"...
O resto (que fica) é coincidência ou lição do destino.

Há também os encontros da vida,
os começos e os recomeços de todos os mundos.
Atos que dissolvem qualquer dor e reverberam qualquer alegria.

Encontros programados por algo além de nosso entendimento,
desencontros que acontecem fora de nosso alcance.

As despedidas, parte vital dos encontros, são o que mais constrói nessas indas e vindas.
Aquelas que fazemos e, principalmente, as que deixamos de fazer.

São esses tais encontros que fazem nossa história, o que aconteceu no final deles, então, não importa tanto assim. O tempo limpa tudo e nunca seremos o que dissermos, só o que nos permitirmos.

Entrevidas, entremeios, entrefins, seguimos assim, incompletos e infinitos, sempre nos (des)encontrando.

(Des)encontros esses que são uma valsa indecifrável para mais de dois, em que o intangível dança com o que conduzimos dentro de nós.