O seu rosto. No meio de uma multidão, encontrei alguém com o seu rosto. Assustei-me com a obviedade desse meu ato falho de querer te ver e ter perto. De te buscar em alguém que não conheço e parar no meio do caminho pra lembrar de como você é. Do que me encantou e que agora desencanta.
A sua voz. Entre tantas outras vozes falantes, uma igual à sua me puxa pela orelha pra perto do seu peito. Da nossa memória. Não acho que tenhamos tido algo nosso, mas tenho certeza de que lembramos de estar juntos da mesma maneira. Não com a mesma intensidade, mas com o mesmo brilho.
Seu trajeto. As linhas ainda marcadas no meu corpo, dos deslizamentos da sua intenção, fizeram-me tomar uma decisão. Meu corpo está fechado para turistas. Não porque não haja descobrimento e ganhos na exploração temporária do outro, mas porque a energia contemplada nesse exercício, para mim, é muito cara.
Das fugas todas que fazemos, das intenções que disfarçamos e das desculpas que damos, a mais incompreensível para mim é a tentativa de escape do amor. Então, enquanto você foge, eu sigo, tentando disfarçar que, na verdade, o que você sentia era pouco. E que esse pouco não foi suficiente para transformar passeio em jornada. Nem seria suficiente para suprir, em mim, os horizontes que habito.
Então, enquanto novos caminhos se abrem, a despedida se encerra. Em frente, sempre em frente, para fugas diferentes.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2015
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Fugitivo
É que às vezes temos que fugir de nós.
Tentar ser igual a qualquer outra pessoa por termos consciência de que somos muito do que não queríamos ser.
Denegamos tudo e revelamos mais do que gostaríamos entre uma palavra e meia.
Às vezes somos coisa, só uso, sem fruto.
Às vezes somos raros, diferentes de nós.
Também podemos ser belos, por conhecermos o papel que encanta nossos espectadores.
Quem diz que não se conhece, mente os defeitos.
Quem diz que não se conhece está pensando na lista de desagrados,
que se fosse coisa boa saberíamos de cor, de forma até "camoniana".
Há de vir mais enganos e recomeços, perdas de memórias no esplendor de nossa identidade eterna.
Só podemos mudar se identificamos, aceitamos e amamos, mesmo sem gostar, cada parte má, nefasta e sem amor que possuímos. E mesmo assim, a mudança pode ser só uma passadinha de pano nas sujeiras do (in)consciente.
É que é tão mais fácil escapar de tudo isso.
Viver como clandestinos do eu, ilegais em nosso próprio corpo.
Fugitivos da utopia de sermos quem queremos ser.
Tentar ser igual a qualquer outra pessoa por termos consciência de que somos muito do que não queríamos ser.
Denegamos tudo e revelamos mais do que gostaríamos entre uma palavra e meia.
Às vezes somos coisa, só uso, sem fruto.
Às vezes somos raros, diferentes de nós.
Também podemos ser belos, por conhecermos o papel que encanta nossos espectadores.
Quem diz que não se conhece, mente os defeitos.
Quem diz que não se conhece está pensando na lista de desagrados,
que se fosse coisa boa saberíamos de cor, de forma até "camoniana".
Há de vir mais enganos e recomeços, perdas de memórias no esplendor de nossa identidade eterna.
Só podemos mudar se identificamos, aceitamos e amamos, mesmo sem gostar, cada parte má, nefasta e sem amor que possuímos. E mesmo assim, a mudança pode ser só uma passadinha de pano nas sujeiras do (in)consciente.
É que é tão mais fácil escapar de tudo isso.
Viver como clandestinos do eu, ilegais em nosso próprio corpo.
Fugitivos da utopia de sermos quem queremos ser.
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