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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Eufobia

Não, nem o grito mais agudo poderia extravasar todo o sangue que parece estar correndo ao contrário no peito. Parece que nada é capaz de trazer de volta o ritmo das batidas e dos batuques do centro da vida.

Era medo. Medo de estar errado, de estar certo, de descobrir que não é o que queria, muito menos o que imaginava. Medo de se perder, mas, acima de tudo, medo de se achar e de se decepcionar.

Tememos o agora, o fim, o ser, o estar, o caminho, o outro e, principalmente (talvez antes de todos os medos), nós mesmos.

A era dessa eufobia transborda toda e qualquer boa vontade e é refletida em espelhos tortos, em que não conseguimos nos ver com clareza com os olhos dos outros, quem dirá com os nossos.

Não, nem o mais gelado dos olhares é capaz de paralisar o caminho torto que estamos seguindo.
Não conseguimos assumir nossas culpas e, ao jogá-las nos outros, nos sentimos mais culpados ainda.

A eufobia pesa, é presente e impera na nossa retrógrada pós-modernidade.

Mesmo que pudéssemos nos pegar no colo, o que haveria para ensinar?
Quem virá nos diagnosticar?

Não, não quero ser o último a chorar.
Tenho medo de encontrar o fio da minha alma, se ficar para trás.

Eufórico eufóbico. Parece nome de palhaço, mas é a (des)graça de estar vivo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Mar(é)

Um looping interno e eterno. Parece que é assim que estamos agora, eu e meus outros eus, que eu nem imagino quem sejam, mas que se mostram mais do que eu gostaria e contradizem o que eu digo sobre mim.

Sentimento de ser um siri em sua toca. Sabe, aqueles que ficam na praia, no subir e descer das marés, com um furinho sobre sua casa, mantendo-se vivo para poder sobreviver? Ou seria o contrário?
Parece pleonasmo, mas, sob o vem e vai das ondas, ele fica imerso, esperando as lágrimas da terra irem embora, para que possa se arriscar, sem respirar, a ir atrás do que o deixa sobreviver: alimento.
Algo capaz de nutri-lo para que possa, com calma, respirar novamente em sua toca.

Engraçada essa diferença entre viver e sobreviver. O siri parece vivenciar suas mais intensas experiências (que devem existir de uma maneira bem crustácea) dentro de sua toca. Abaixo de nossos pés, enquanto caminhamos na praia, vivenciando as nossas.
Inevitavelmente vem o momento em que ele precisa sair dessa existencialidade poética e marítima e partir para uma caçada substancial, atrás do alimento que o faz sobreviver.

Gostaria de estar mais para o siri, que aguarda a hora de sobreviver, do que para o humano que sobrevive esperando a hora de viver. Sobrevivência, no segundo caso, que não é substancial, mas existencial.
Parece que sigo sobrevivendo do que basta, esperando o grande momento de viver.

Talvez os que vivem uma sobrevida, tenham mais acesso à vida do que imaginemos.
Uma vida que acontece e depois culmina na sobrevivência, não o contrário. Uma vida em que puramente se existe e reflete e explora ao máximo a estupidez humana, observando-a, como homens invisíveis, os tais mosquitinhos que sempre dizemos querer ser.

E pensar que um siri pode saber mais do que é a vida, em seu sentido mais puro, do que qualquer outro dominante.
Não sei, parece que estou tempo demais embaixo d'água esperando a maré passar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Nós

- É que as pessoas se perdem mesmo - reclamou a voz de dentro.

Encontramos tantas vidas cruzando as nossas, tantas verdades e mentiras entre tantos olhares... E nunca percebemos o quanto nos perdemos uns dos outros.


Por algum motivo obscuro de ser gente nos afastamos nas bifurcações de idéias e vamos trilhando caminhos diferentes.
É como se nossas conexões fossem cordas frágeis, se deixarmos de prestar atenção, vão se rompendo pelo desgaste do tempo que, assim como o vento, bate de formas diferentes dependendo de onde estamos.

- São mais despedidas que encontros – disse a voz de dentro.

- Não, só precisamos prestar atenção no caminho porque quem for encontro nosso, de dentro pra fora, não se perde na jornada. – disse a voz de fora.

E alguns nunca sequer se encontraram, para poderem nos achar.
É duro prestar atenção em tantas teias que saem de dentro de nós, imagine só naquela corda bem fininha que liga o pensamento com o sentimento onde o eu encontra o eu mesmo.

- É que eu nunca me encontrei - falou outra voz
- Não, - a voz de fora comentou - temos muita corda pra enrolar até juntar o eu com o eu mesmo. Cada volta no novelo é um pedaço novo do céu de nós e cada novo pensamento multiplica a linha, mas reduz a distância até o sentimento.

Vamos dando nós nas linhas, rompendo alguns pedaços, mas fortalecendo o novelo de dentro para que fique intacto.

Vamos fazer um nó?